sábado, 25 de janeiro de 2014

O medo e a sociedade actual



O meu trabalho com Homeopatia Infantil tem sido consistente ao longo dos anos. Apesar de também trabalhar em saúde de adultos, as consultas com os pequenotes têm-me mostrado algumas realidades que, do meu ponto de vista, estão erradas na nossa sociedade. 
Uma das principais, é o clima de medo que paira sobre todos nós. Interessa a muitos sectores que assim seja. 
É comum os pais na consulta pedirem “medicação forte”, porque não podem faltar ao trabalho, ou em situações piores, administrarem os famosos antipiréticos antes de levarem a criança ao infantário, de forma a poderem ir trabalhar.  A facilidade e irresponsabilidade com que se utilizam os antipiréticos hoje em dia é extremamente preocupante, uma vez que se perdeu a noção de que são medicamentos e que têm impacto nocivo a nível multi orgânico. Muitos pais e até infantários, perante uma temperatura de 37,5, utilizam sem qualquer critério os antipiréticos, de forma a suprimir um sintoma, que por si só, é um mecanismo de defesa do corpo.
Será que esta tendência exagerada de recurso a estes fármacos tem dado resultado? Será que as crianças estão mais saudáveis e imunitariamente mais resistentes?
Com a minha experiência em Homeopatia infantil posso dizer garantidamente que não. 
As crianças estão hoje em dia, cada vez menos resistentes, cada vez se vêm mais crianças com problemas respiratórios recorrentes, medicados com broncodilatadores, anti histamínicos, corticoides, antibióticos, antipiréticos constantes, etc, etc. 
Criou-se hoje em dia, um clima de medo em relação à doença e particularmente em relação aos sintomas da doença. O mais fácil é “varrer para baixo do tapete”, escondendo, suprimindo, não curando. Isto é um flagelo que afecta muitas famílias e é desesperante para os pais verem as suas crianças,  constantemente doentes e excessivamente medicadas. 
Tenho dito sempre, que o melhor caminho é a complementaridade entre medicinas. Eu não sou de todo, um radical anti medicação química. Quando há verdadeiramente necessidade de os utilizar, que assim seja. No entanto, se houver uma maior aproximação e abertura entre a pediatria e a Homeopatia infantil, conseguimos resultados extremamente positivos, na redução do recurso a químicos agressivos e no fortalecimento do sistema imunitário, uma vez que uma percentagem muito elevada dos medicamentos utilizados hoje em dia, são totalmente dispensáveis. 
Digo isto, porque tenho trabalhado em complementaridade com alguns pediatras convencionais, com resultados muitíssimo bons. 
Para que isto aconteça, deverá acabar o clima de medo incutido na sociedade, sobre o recurso a tratamentos homeopáticos. Os médicos convencionais deverão mostrar abertura e os pacientes deverão recorrer naturalmente à Homeopatia, sabendo que ao procurarem um profissional credenciado e experiente, nada têm que recear. 
Por outro lado temos um problema sociológico. A falta de tempo, precipita o excesso de medicação. Os empregadores não facilitam a flexibilização horária no apoio à criança e por isso não há uma cultura de convalescença adequada. Poucos são os pais com capacidade para ficarem uma semana em casa até que as crianças fiquem efectivamente curadas. 
Em alguns países nórdicos a regra geral é 8-8-8. Oito horas a trabalhar, oito horas com a família e/ou lazer e oito horas a dormir. No nosso país, assistimos ao que chamo escravatura da produtividade. Somos dos países cujos trabalhadores estão mais horas no local de trabalho  (nem sempre a trabalhar), há horas para entrar e não há horas para sair.
Muitas crianças entram no infantário às 7:30/8h e saem às 19:30. Chegam a casa, tomam banho, jantam e vão dormir. É sempre assim, de segunda a sexta feira. Ao fim de semana, os pais têm que limpar a casa, ir às compras, etc, etc.
Que sociedade pode ser saudável, quando as crianças estão a ser criadas pelas educadoras de infância? As educadoras fazem um trabalho fantástico na sociedade, tendo em conta que muitas delas são também mães, mas não podem substituir os pais na educação e na manutenção dos laços afectivos entre pais e filhos. 
Quantas pessoas, cujo horário de saída é, por exemplo às 17:30, não saem, porque há sempre um chefe, ou até colega que olha ironicamente para o relógio com um ar desaprovador, como se cumprir o horário de trabalho fosse um pecado mortal?
Onde está a produtividade portuguesa com esta cultura do medo? Será que as pessoas são mais produtivas debaixo de um regime empresarial, que castra o trabalhador e lhe nega um direito tão básico como o de estar feliz?
A sociedade tem que mudar a este nível. Os pais têm que ter atitude, têm que ser capazes de dar a volta a esta forma de vida que prejudica claramente as crianças. 

A Homeopatia em complemento da medicina convencional, pode ser uma ajuda enorme na melhoria do estado de saúde das crianças, bem como dos adultos, no entanto, não chega, precisamos de mais atitude, de menos medo, de mais vida.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Bom Natal e um excelente 2014!!

Mais um ano que passou.

Balanços, pensamentos, os “ses”, o “devia ter feito...dito...”, não são mais do que ruído que nada podem fazer para mudar o passado. 

O nosso futuro, é construído com os inúmeros pedaços de presente e é em cada um destes pequenos pedaços de presente, que devemos por toda a nossa energia de entrega, de solidariedade, de ética pessoal, de Amor, de vida.

O pequeno pedaço de presente chamado Natal, não chega para construirmos um futuro melhor para todos. 

Não considero, que isto seja mais um de tantos “clichés”, ou um pensamento com pretensões filosóficas. Considero sim, que tudo de resume a uma palavra: coerência!

A coerência é o cimento que fortalece e solidifica os pedaços de presente. Se a coerência for saudável, o futuro vai ser sólido e estável. O contrário, leva à tradicional verborragia de frases feitas e sentimentos não sentidos, que mancham e invertem o espírito natalício. 

Quero desejar a todos um bom Natal e um excelente 2014! de coração, sem frases feitas:)

Mas o mais importante para mim é deixar um agradecimento sentido. Um agradecimento a todos os que consideram a Homeopatia uma forma de medicina válida, a todos os que confiam e acreditam no meu trabalho, pelo muito que me ensinam, por me fazerem uma pessoa melhor, por divulgarem e recomendarem o meu trabalho, por tudo. 

Um obrigado também, para os muitos médicos da medicina convencional, que acreditam na complementaridade das medicinas e com os quais partilho pacientes de uma forma saudável e com grande benefício para todos. Este é o caminho!

Sou um privilegiado! ser homeopata é um orgulho para mim. Faço o que mais gosto:)

Vou pedir um desejo aqui que ninguém nos lê:) Gostava muito de estar à altura de  continuar a merecer a vossa confiança. A Homeopatia agradece. 


Tudo de bom para todos.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Gratidão e Homeopatia - O Batik




Hoje tive uma prenda muito especial.

Quem me conhece sabe, que tenho uma paixão enorme pela Homeopatia e pelo meu trabalho. Sou efectivamente, um privilegiado por trabalhar numa área que me dá tanto prazer.

Há cerca de quatro anos, no fim de uma consulta, uma paciente falou-me pela primeira vez em Batik, uma técnica de pintura de tecidos, muito utilizada em Java, Indonésia.  Esta técnica, é hoje considerada, património da humanidade pela UNESCO. Nessa altura, ficou no ar, a promessa de me fazer um Batik que tivesse a ver comigo e com a minha grande paixão pela Homeopatia. 

Nestes quatro anos, tenho evoluído muito como homeopata e como pessoa. Tenho tentado estar à altura de todas as solicitações que me chegam, muitas delas extremamente complicadas do ponto de vista clínico, bem como, do ponto de vista humano.

Há cerca de dois meses mudei-me para um novo espaço, no qual me sinto muito bem. Hoje recebi a “cereja no topo do bolo”, finalmente o prometido Batik está orgulhosamente a sorrir na parede do meu gabinete.

A Leonor Veiga de Oliveira é uma excelente artista. Conseguiu captar o que sinto pela Homeopatia e transpor para o pano de uma forma brilhante. Ao longo do Batik pode ler-se Similia Similibus Curentur (o semelhante cura o semelhante), o princípio fundamental da medicina homeopática. No centro, em lugar de destaque, a palavra gratidão em Sanscrito.  

Nada mais emocionante para mim, do que olhar este magnífico trabalho e sentir a verdadeira gratidão por tudo o que a Homeopatia me tem dado ao longo dos anos. Se alguma dúvida restasse, tenho mesmo os melhores pacientes do mundo:)

A Leonor está de parabéns pelo resultado final e eu estou muito orgulhoso por ser merecedor de tantas horas de trabalho e empenho. Para quem não sabe, esta técnica tem muitas etapas e procedimentos, o que resulta em muitas horas de trabalho para concluir a obra.

Muito obrigado Leonor por esta prenda especial. Certamente, será muito inspirador trabalhar em tão boa companhia. 

Este Batik será devidamente admirado:)



sexta-feira, 14 de junho de 2013

A generalização é injusta




Um problema que é recorrente na prática homeopática (e também será noutras formas de medicina complementar), é o facto de se generalizar a opinião, em vez de fazer-se uma análise do particular.

Se uma pessoa recorre a um homeopata e o profissional não teve um comportamento correcto, ou foi de alguma forma negligente, automaticamente se generaliza para a Homeopatia no seu todo e, não para o profissional em causa. Se um homeopata menos sério, cobra um preço muito acima do que deveria e os resultados são nulos, então os homeopatas (TODOS) são charlatães e só querem enganar as pessoas que sofrem. 

Penso que é totalmente injusta esta generalização, uma vez que me considero uma pessoa íntegra e honesta e tal como eu, muitos outros colegas o são. 

Tal como condeno a generalização em relação à Homeopatia, também a condeno em relação à medicina convencional. 

Não concordo que façamos uma generalização sobre o nosso sistema de saúde, ou sobre instituições em particular, ou sobre determinada especialidade.

Tenho dito sempre que a medicina convencional é insubstituível. Tenho um grande reconhecimento pelos médicos, que todos os dias salvam milhares de vidas nos nossos hospitais. Não podia ser de outra forma! Eu próprio, há alguns anos atrás, fui testemunha da entrega e do profissionalismo dos médicos da UCIPED do Hospital de Sta. Maria, devido a um problema grave de uma filha. Cheguei a questionar, se eles dormiam ou tinham folgas, porque os via sempre por lá, a dar o seu melhor.
Fui também testemunha, da competência do Professor Jorge Cruz e da sua equipa de cirurgia cárdio-torácica em Sta. Maria. Já lá vão alguns anos e ainda hoje tenho um profundo reconhecimento e gratidão pelo seu trabalho excepcional.

Muitos são os médicos da medicina convencional, que têm total abertura para as medicinas complementares. Tenho muitos médicos na minha consulta, muitos vêm com os seus filhos e muitos outros partilham os seus pacientes comigo. Temos conversas muito interessantes sobre os diferentes pontos de vista, mas acabamos, sempre, por chegar a um consenso. Fico muito feliz com esta complementaridade. Felizmente, tenho sido um privilegiado na relação profissional e até pessoal, com médicos da medicina convencional. 

Isto para dizer, que não concordo com ataques aos médicos, instituições e ao sistema de saúde em geral. É um facto, que há médicos que não deveriam exercer a profissão, porque são maus técnicos, ou porque não têm a tão importante “veia humana”, fundamental no exercício de medicina. Se houver necessidade de criticar, façamo-lo em prol do particular e não do conjunto. 

Outra crítica fácil, é dirigida à industria farmacêutica. Conheço bem esta realidade, porque estive ligado a esta área muitos anos. É claro, que o lucro é o objectivo final. Todos sabemos, que muitas vezes a necessidade de obter dividendos, leva a comportamentos incorrectos e pouco éticos e isso deve ser condenado. Mas por outro lado, são também os laboratórios os responsáveis pela investigação de novas moléculas, pelo avanço da medicina nas últimas décadas. A investigação de uma nova molécula custa milhões às companhias e, como é obvio, terão que obter o retorno do investimento. Muitas vezes, o problema está na necessidade de retorno rápido, o que leva aos comportamentos não éticos. 

A Homeopatia é a minha vida. Cada dia que passa, tenho uma maior paixão pelo que faço. Acredito incondicionalmente, nos benefícios desta medicina. Vejo estes benefícios diariamente na minha clínica, com as pessoas que me procuram, com os mais variados problemas de saúde. 

Quem não conhece esta prática a fundo, deve abster-se de criticar. Se não há estudos suficientes, porque não faze-los?

Porque não criar polos homeopáticos em hospitais públicos, a título experimental, para que sejam comprovados, os benefícios da complementaridade?

Estas ideias, não são utópicas. São possíveis. Haja (boa) vontade.

Os doentes agradecem...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Até sempre Rodrigo!


Se houvessem dias que pudessem ser apagados da nossa vida, este seria um deles.

O que dizer quando um lutador de 3 anos é derrotado por uma doença maldita, cruel, traiçoeira e implacável?

Hoje estou a viver o lado negro da minha profissão. Sinto-me derrotado, sem forças, sem motivação e sem aquela paixão pelo que faço, que quem me conhece, sabe que tenho sempre comigo. 


E agora? acredito que o Rodrigo está feliz no reino encantado para onde voam os meninos que partem.
E a mãe? e a família? e os amigos? e o país inteiro que o apoiou incondicionalmente?

Não consigo imaginar a dor da Vanessa...queria tanto que o desfecho fosse outro:(

Trabalhei tanto para fazer o melhor por ele, passei muitas horas a estudar as melhores soluções para debelar aquela maldita infecção num quadro tão complexo e difícil.

Apesar da realidade clínica não ser favorável, acreditei a certa altura, baseando-me nas análises, que poderíamos ter esperança.

Infelizmente a doença venceu...estou triste:(

Muita força Vanessa e família!!!


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pediatria/Homeopatia - Complementaridade


Há muito que defendo, que este é o único caminho possível para que os doentes possam beneficiar do melhor de cada forma de medicina. 

A complementaridade é o futuro. É urgente e fundamental, que se legisle sobre estas práticas, para que só os profissionais devidamente formados, possam exercer a sua técnica, pois só assim, poderão saber com segurança, os limites clínicos da sua prática.

Um profissional bem treinado, não corre riscos desnecessários, sabe até onde pode levar a sua técnica. É desta segurança que os pacientes precisam, quando recorrem a qualquer medicina complementar.

A opinião do Professor Mário Cordeiro, está em sintonia com a de muitos outros médicos de várias especialidades.

Na minha prática clínica, tenho inúmeros médicos que procuram a Homeopatia para ajudar nos seus problemas de saúde, ou dos seus filhos, ou até de alguns pacientes. Temos conversas interessantíssimas sobre as diferentes visões da pessoa e da doença, mas sempre numa perspectiva de entendimento, respeito e consonância.

Ao ter esta abertura, revela humildade, respeito, sabedoria e, sobretudo, focalização no bem estar dos doentes.

A chuva de críticas que se seguiu a este artigo de opinião, vem como sempre, dos mesmos, sempre os mesmos...os mesmos que não são médicos, nem homeopatas, nem terapeutas, nem nunca sentiram o sofrimento nem o desespero de alguém que está doente. 

Deixem-se de teorias pseudo intelectuais e sejam benvindos ao mundo real do combate à doença.

Nuno Oliveira




OPINIÃO
Medicinas Alternativas... ou Complementares?
MÁRIO CORDEIRO 02/05/2013 - 11:07

Não será o momento de trabalhar em equipa e separar o trigo do joio?

A utilização de medicinas designadas por “alternativas”, em situações de doenças em crianças, tem vindo a aumentar.
Segundo um estudo realizado na Austrália e no País de Gales, cerca de metade das crianças observadas em hospitais pediátricos estavam a utilizar terapêuticas complementares e alternativas. Um outro estudo, realizado no Reino Unido, mostrou que as crianças com doenças crónicas utilizavam três vezes mais tratamentos “alternativos” do que as crianças saudáveis. O que é curioso é que os médicos pediatras não sabiam que os seus clientes estavam a fazer outras formas de tratamento, por opção dos pais.
Um estudo realizado na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa (Videira, C., Veloza, A., Moreira, J.M., Ribeiro, J. e Miranda, R.) revelou que, ao contrário do que se poderia pensar, a maior parte das pessoas que recorre à medicina alternativa não está insatisfeita com a medicina convencional – de facto, 95% dos inquiridos que utilizavam a medicina alternativa diziam-se satisfeitos com os cuidados médicos, 88% consideravam a relação com o médico boa e 92% estavam satisfeitos com os resultados dos tratamentos médicos. Muitas das pessoas que recorrem à medicina alternativa, quando precisam de cuidados mais especializados, consultam também os médicos especialistas convencionais.
Talvez a medicina convencional não esteja “em crise”, nem essa seja a razão do aumento da procura da medicina alternativa. Assim, o recurso a estas práticas não seria encarado pelos utentes como uma “alternativa” ou substituto à medicina convencional, mas sim, como um complemento desta. E as crianças virão, certamente, a beneficiar desta abordagem global e holística, dentro das várias “medicinas complementares”.
As medicinas designadas por “alternativas” não deveriam ser menosprezadas e inferiorizadas. O próprio nome, “alternativo”, é quanto a mim errado: trata-se de metodologias de tratamento “complementares” da chamada “medicina ocidental”.
Também é errado designar esta por “científica”, dado que muitas das terapêuticas utilizadas nas “complementares” são cientificamente válidas (e muitas das que nós utilizamos na “medicina ocidental” ainda carecem de prova cabal...).
Para além dos achados dos estudos, uma conclusão é óbvia: chegou a altura de deixar “a falar sozinhos” os corporativistas que defendem que “medicina só há uma, a ocidental e mais nenhuma”, e estudar, em conjunto e colaboração, as várias medidas terapêuticas que podem beneficiar, do ponto de vista biológico, psicológico e social, as crianças e suas famílias. É bom admitirmos que não sabemos nem dominamos tudo, e que a separação do trigo do joio passa por reconhecer que há trigo e que há joio. Na medicina “alternativa", mas também na “ocidental”...
Moda ou necessidade?
Alternativas? Complementares? A discussão é grande e a polémica tem feito correr rios de tinta, envolvendo os mais altos órgãos de soberania, as instituições profissionais e os leigos. Não adianta “tapar o sol com a peneira”, nem emitir juízos de valor sobre uma prática que, como todas, terá os seus pontos positivos e os seus aspectos menos bons – o que interessa é ver, numa abordagem científica, qual o interesse, a eficácia e a eficiência desta medicina, se o seu posicionamento é “alternativo” ou “complementar” relativamente à medicina “médica”, bem como saber um pouco mais dos “quês” e “porquês”, dos “quem” e dos “quandos”. Até porque, sob a designação “alternativa”, encontram-se coisas tão diversas como comprar de vez em quando um chá de tília ou submeter-se a acupunctura regularmente.
Uma área em franco crescimento
Não existem dúvidas de que a medicina alternativa está a tornar-se cada vez mais popular no hemisfério Norte. Em Portugal, os dados permitem saber que cerca de um em cada seis portugueses revela ter já utilizado as terapêuticas alternativas, nas duas semanas anteriores a serem inquiridos e pelo menos um em dois ao longo da sua vida.
No entanto, apesar da crescente procura da medicina alternativa em Portugal, há um vazio legislativo sobre esta matéria, o que permite o exercício desta medicina por pessoas não qualificadas para tal. Por outro lado, os profissionais formados por faculdades de medicina tradicional chinesa, por exemplo, de reconhecimento internacional, ficam ao mesmo nível dos charlatães, o que leva a que seja difícil distinguir a qualidade da impostura.
As crianças podem ser grandes beneficiárias da medicina alternativa, nas suas diversas variantes – aliás, a insistência que se faz, só para dar um exemplo, na massagem do bebé, é um reconhecimento de que certo tipo de actuações têm um reflexo directo sobre os estados de saúde e de bem-estar das crianças.
O reverso da medalha
Claro que nem tudo são “rosas”, nem chazinhos de camomila. É necessário as pessoas estarem alerta para a existência de muitos charlatães nesta área, e que o arrastar de alguns problemas pode trazer riscos para a saúde, não apenas pela acumulação de medicamentos dos dois tipos (com efeitos colaterais cumulativos), mas porque há diagnósticos que podem ser protelados, com prejuízo para a criança.
A abertura de espírito e a análise científica das vantagens e desvantagens, eficácia e eficiência das várias práticas médicas poderá separar o trigo do joio e contribuir para o objectivo final de qualquer prática médica: ganhos em saúde e em bem-estar para os utentes.
Complementaridade sim. Atitudes fundamentalistas do género “eu é que sou o dono exclusivo da verdade”, não!

O autor é médico e professor de Pediatria.

domingo, 3 de março de 2013

Um balanço pessoal...


50 000 acessos!
Obrigado




Esta semana, o meu blog “Nuno Oliveira Homeopatia”, atingiu um número de visitas que nunca imaginei ser possível quando tive a ideia de o conceber. 

50 000 visitas!! Sendo que mais de 90% são de Portugal continental e ilhas.

Decidi optar por um blog e não por um site institucional, com a ideia de fazer algo mais pessoal, onde pudesse transmitir as minha ideias, a minha visão da Homeopatia, as minhas vivências e sobretudo as minhas emoções. Queria estar mais próximo dos meus pacientes e de todos aqueles que sentissem vontade de recorrer aos tratamentos homeopáticos e não tivessem uma referência. Queria partilhar tudo o que me vai na alma sobre esta minha grande paixão, queria mostrar algo mais do que conhecimentos científicos. 

No fundo, o blog foi a forma que encontrei para ser eu próprio publicamente. 

Reconheço que a “fórmula” resultou. 50 000 visitas a um blog sobre um tema ainda tão pouco divulgado e muitas vezes tão maltratado, é um número que me deixa extremamente contente. Importante também, é o facto, de serem maioritariamente de Portugal, o que revela o interesse que esta forma de medicina está a ter junto da população portuguesa.

Há uns anos, no mês de Março, tomei a mais difícil decisão da minha vida. Esta decisão implicava um risco elevado a nível pessoal, familiar, económico, etc.

De um lado, tinha a minha racionalidade e ponderação, do outro lado tinha a minha intuição e a paixão pela Homeopatia. O lado da intuição e da paixão venceu. De um dia para o outro, perdi todo o conforto económico que tinha e confiei que poderia ter sucesso como homeopata. Acreditei que era justo se assim fosse, que o Universo não me iria deixar ficar mal junto da minha família, que me apoiou a deixar para trás, tudo o que tinha, para me dedicar ao que mais gosto de fazer na vida.

Todos nós nascemos com intuição, mas a intuição é como um músculo, se não for trabalhado, atrofia. Tudo na nossa sociedade é parametrizado, tudo é “balizado”. Desde cedo, deixamos de trabalhar a intuição e ao longo dos anos, ela atrofia e passamos a ouvir apenas a nossa mente. A mente está cheia de ruído, os pensamentos poluem ferozmente aquilo que sentimos e, assim, perdemos tantas oportunidades de sermos felizes. 

Esta decisão, para muitos totalmente irresponsável, foi decisiva para, neste momento,  estar a viver a melhor fase da minha vida. 

O meu percurso não foi nada fácil. Comecei a trabalhar cedo. Sei o que é ter um trabalho duro e sem condições, sei o que é ter um trabalho precário, sei o que é ser explorado, sei o que é ser despedido, sei o que é ser desvalorizado em inicio de carreira...

Nunca desisti! 

Talvez seja por isso, que também nunca desisto de ajudar quem precisa. 

Também não desisto, juntamente com outros excelentes homeopatas em Portugal, de trabalhar, para fazer da Homeopatia uma medicina de primeira linha como complemento da medicina convencional.

Até às 100 000:)