sábado, 18 de outubro de 2008

Artigo publicado na revista Máxima - Nov/2008

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Conferência com Rajan Sankaran


Estive na passada semana cinco dias com uma das minhas referências em Homeopatia, o Dr. Rajan Sankaran.
A conferência realizou-se em Galway na Irlanda e foi uma experiência muito enriquecedora.
Para mim, o Dr. Sankaran é um dos melhores homeopatas do mundo, um génio que criou um novo método de ver e aplicar os conceitos homeopáticos. Li quase todos os livros dele e sempre me perguntei, como é possível chegar tão longe, como é possível ter uma visão tão projectada no tempo. Percebi nesta conferência que é pura paixão pela Homeopatia, entrega total a esta arte de curar. Tal como ele, outros o fizeram: Hahnemann, Hering, Kent, Boericke, Vithoulkas, entre muitos outros...todos eles merecem o meu reconhecimento.
Sankaran em consulta é como um maestro a conduzir a sua orquestra, o maestro exalta o sentimento, a criatividade, o improviso, o melhor dos seus músicos. Sankaran faz também isto com os seus doentes e leva-os numa viagem ao seu ser mais profundo, onde está a verdadeira causa da doença. Uma palavra: brilhante...
São estes momentos que me dão alento para continuar este caminho, de praticar Homeopatia ao mais alto nível, a Homeopatia clássica unicista, para bem da Homeopatia e principalmente dos meus doentes.
Keep going Rajan Sankaran...

sábado, 6 de setembro de 2008

O que trata a Homeopatia ?

A Harmonia Mental, Emocional e Física

Frequentemente sou questionado sobre o que trata a Homeopatia; que patologias são passíveis de tratamento homeopático.
A Homeopatia é um sistema, uma forma de medicina muito completa. Digo completa, porque tem as suas próprias regras de diagnóstico, tem a sua farmacopeia própria e, a abordagem sobre a doença, é específica da Homeopatia. Assim, não podemos nunca abordar a doença e o doente do ponto de vista da medicina alopática (química). Isto é um erro que leva frequentemente ao insucesso clínico, descredibilizando a Homeopatia e ao mesmo tempo presta-se um mau serviço ao doente.
Segundo o meu ponto de vista, uma das principais razões para a descredibilização da Homeopatia está no facto de alguns colegas estarem a praticar medicina convencional com medicamentos homeopáticos, ou seja, o pensamento, a abordagem da patologia e a forma de medicar são os da medicina química, mas ao doente são dados medicamentos homeopáticos.
Assim, quando me questionam sobre o que é passível de tratamento homeopático, tenho que demonstrar às pessoas que em Homeopatia nós não tratamos doenças, tratamos sim a pessoa no seu todo. Quando trato um doente asmático, não trato a asma do doente, trato sim o doente que tem asma. Sabemos que todos eles sofrem da mesma doença, mas a forma como a asma se manifesta difere de pessoa para pessoa, o quadro sintomatológico fisico, emocional e mental é específico do indivíduo. O sucesso destes casos está em perceber essa individualização e medicar de acordo com a especificidade de cada pessoa. Este é o princípio que está subjacente a todas as prescrições homeopáticas.
No entanto, não podemos esperar milagres de cura, temos que ser sérios e aceitar que tal como qualquer outra forma de medicina, a Homeopatia, tem os seus limites e não trata o que não é passível de tratamento. Muitas vezes a Homeopatia é usada, não com o objectivo da cura, mas como um excelente paliativo, nomeadamente em doentes em fase terminal, dando-lhes uma melhor qualidade de vida de um ponto de vista não evasivo. Temos excelentes resultados em patologias agudas, como amigdalites, bronquiolites, otites, infecções do tracto urinário, etc, onde em muitos casos a Homeopatia é mais rápida a actuar do que a medicina química. Nas patologias crónicas e recorrentes, onde em minha opinião a medicina química mais falha, a Homeopatia assume-se como a melhor alternativa. Problemas do foro emocional / mental são também eficazmente tratados através da Homeopatia.
Porque não experimentar?

domingo, 29 de junho de 2008

Restrições dietéticas

As restrições dietéticas são habituais durante o tratamento homeopático. Algumas são relativas e, estão directamente relacionadas com a nutrição em si mesma, com o objectivo de melhorar o estado geral do doente, suprimir eventuais carências alimentares, ou dar um aporte superior de vitaminas, minerais, oligoelementos, entre outros nutrientes essenciais ao caso em questão.
No entanto, existem algumas substâncias que aconselho serem evitadas durante o decorrer do tratamento homeopático. Estas substâncias, são essencialmente, todas aquelas com poder estimulante, como o café, o chá, o chocolate, etc. Tenho verificado na minha prática clínica, que estas substâncias actuam como antídotos do medicamento homeopático, principalmente quando administro potências mais elevadas. Noutro sentido, também os medicamentos quimicos têm esse poder. Apesar de não haver qualquer interacção de incompatibilidade entre os estimulantes e o medicamento, verifica-se que este cessa o seu efeito no organismo, após o doente ingerir tais substâncias.
Apesar deste facto se verificar com frequência, o Dr. Rajan Sankaran, uma das minhas referências em Homeopatia, desenvolveu um estudo que prova que estas substâncias não interferem com o tratamento homeopático**.
Na minha opinião, esta conclusão deve-se ao facto do estudo ter sido feito na India, onde o modo de vida, o tipo de alimentação, os hábitos diários e a componente espiritual, são consideravelmente diferentes do ocidente. Mais um tema a estudar e a debater entre a comunidade homeopática.
De referir, que estou a desenvolver neste momento uma teoria que fundamenta o princípio de acção dos estimulantes nos medicamentos homeopáticos. Oportunamente irei desenvolvê-la mais detalhadamente.
Assim, devido à minha própria experiência, aconselho os doentes que se submetem a tratamentos homeopáticos, a evitarem estas substâncias, para que tenhamos a total certeza e segurança de que o medicamento está a actuar correcta e profundamente no organismo. O possível “sacrifício” que o doente fará em não beber café, chá ou chocolate durante o tratamento, é largamente compensado pelo restabelecimento do seu estado de saúde.

** In Homeopathy the Science of healing – Dr. Rajan Sankaran

Agravamento homeopático

Muitos dos meus pacientes, após começarem o tratamento homeopático, experimentam o que chamamos agravamento homeopático. É comum telefonarem-me alguns dias depois, dizendo que não se sentem melhor e, até sentem mesmo, um agravamento dos sintomas que anteriormente apresentavam. A minha resposta é sempre a mesma : “óptimo, bom sinal...”
Não sou insensível, nem tenho um particular apresso por ver os meus doentes a sentirem-se pior, mas o agravamento homeopático é sem dúvida, um excelente sinal de que foi administrado o medicamento correcto (similimum), e que o doente entrou no processo de cura.
Estes agravamentos são transitórios e geralmente de curta duração. Após o agravamento, o doente sentirá melhoras muito significativas no seu estado de saúde.
Esta situação acontece, porque foi administrado ao doente, um medicamento que está em perfeita afinidade com ele, ou seja, está em perfeita harmonia com todas as queixas do doente, sejam elas mentais, emocionais ou físicas. Por outras palavras, foi dado ao doente um medicamento que provoca numa pessoa saudável, exactamente os mesmos sintomas que o doente apresenta.
Sendo assim, espera-se e sobretudo deseja-se, que o doente sinta uma exacerbação dos sintomas no início do tratamento. Isto revela que o homeopata teve sucesso no diagnóstico e, que o doente, está a iniciar o processo de cura da doença.
O agravamento homeopático é mais comum acontecer nos casos crónicos do que nos casos agudos e, quando surge, é um sinal de alento tanto para o homeopata, que percebe assim que escolheu o medicamento correcto, como para o doente que beneficiará de toda a eficácia do tratamento homeopático.
Neste sentido, desconfio da eficácia do tratamento homeopático prolongado sem qualquer agravamento; na minha perspectiva, significa que não estamos a induzir no organismo do doente o processo de cura. Tenho verificado esta situação, em doentes que surgem na minha consulta após anos de tratamento pseudo homeopático, com muitos medicamentos, mas com poucos resultados visíveis. A verdadeira Homeopatia é altamente eficaz, é radical, o doente sente melhoras efectivas num curto espaço de tempo. A ideia de que a Homeopatia é lenta a actuar é completamente errada e, é o reflexo, da má práctica homeopática.
O Professor George Vithoulkas, uma das maiores figuras mundiais em Homeopatia escreveu : “...por conseguinte, a práctica comum de alguns homeopatas, tentando suprimir os agravamentos, é, na verdade, um processo que não permite a cura. As atitudes e ensinamentos baseados na prescrição de medicamentos que provavelmente não produzam agravamentos vêm de pessoas com pouco conhecimento da ciência da Homeopatia”. **
Sendo assim, o agravamento homeopático não pode ser entendido como prejudicial, bem pelo contrário, ele deve ser encarado como o arranque para um tratamento homeopático eficaz e, por conseguinte, para uma vida mais saudável.

** In Homeopatia:ciência e cura – Prof. George Vithoulkas

domingo, 15 de junho de 2008

Homeopatia e gravidez

A gravidez é uma fase particularmente interessante na vida da mulher, não só pelo ponto de vista mental e emocional, mas também devido às alterações hormonais, metabólicas e fisiológicas verificadas no seu corpo. A gravidez é de certa forma limitativa no que diz respeito à administração de medicamentos quimicos, tanto pelas implicações que podem ter na mãe como, principalmente, no próprio feto.
A Homeopatia é uma medicina de excelência na gravidez, aliás, deveria ser a medicina de primeira abordagem nesta fase da vida da mulher. Sintomas como enjoos, cansaço, depressão (inclusivé depressão pós-parto), infecções respiratórias, infecções urinárias, dores osteo-musculares, entre muitas outras queixas, são passíveis de tratamento rápido e eficaz pela Homeopatia, sem os riscos inerentes à medicação quimica.
A Homeopatia tem caracteristicas muito particulares que a fazem ser indicada em todas as fases da vida humana, desde o bebé recém-nascido, até à terceira idade. Na gravidez, a Homeopatia pode melhorar em muito a qualidade de vida da mãe, tanto no tratamento rápido e eficaz das possíveis queixas fisicas, como ajudando a mulher a superar algumas alterações emocionais que possam surgir e, que em certos casos, são muito limitativas para o seu bem estar, impedindo-a de “saborear” todas as emoções e sensações que a gravidez lhe oferece. Muitas mulheres que passaram por estes problemas sabem do que estou a falar...
Algumas mulheres grávidas sentem uma ansiedade constante em relação ao seu estado de saúde, vivem em excessiva preocupação, se irão constipar-se, ou contrair alguma outra patologia; a sua preocupação é por não poder, ou não ser aconselhável, tomar medicação nesta fase. A Homeopatia permite aliviar esta ansiedade, porque a mulher sabe que qualquer patologia que surja, é tratada rápida e eficazmente, com toda a segurança através do tratamento homeopático.
Assim, aconselho todas as futuras mamãs, a recorrerem ao tratamento homeopático sempre que o seu estado de saúde mental, emocional ou fisico o justifique.

sábado, 14 de junho de 2008

Medicamentos para...

Como já escrevi anteriormente, a intenção deste blog é dar a conhecer algumas das minhas ideias sobre esta grandiosa arte de curar que é a Homeopatia. Alguns dos meus pontos de vista, podem parecer um tanto ou quanto radicais, ou fora do que está protocolado nas esferas da comunidade homeopática. No entanto, estas ideias fazem parte de mim, fluem com tanta naturalidade que as assumo como verdades absolutas. A Homeopatia não pode ser praticada apenas com base no conhecimento científico, na racionalidade, tem que se sentir, temos que deixar fluir a energia. A Homeopatia é energia, o ser humano é energia, a vida é energia...A tecnologia permite-nos ter meios poderosos para auxiliar a medicina. A pergunta que se impõe é: como é possivel a humanidade estar tão doente com todo o “arsenal” de terapias e meios auxiliares de diagnóstico, como TAC, ressonância magnética, ecografias, etc. Cada vez vemos mais pessoas doentes, com problemas mais sérios, mas isto é um contrasenso tendo em conta os milhões gastos em investigação na área da saúde. Das duas uma, ou a doença é dotada de uma inteligência superior ao ser humano, o que a faz estar sempre um passo à frente da investigação, ou a investigação está a seguir um caminho errado. Obviamente que me inclino mais para a segunda hipótese. Na minha opinião, a investigação médica está a centrar-se no lado errado, ou seja na patologia em si mesma, na bio-quimica, na bactéria, no virus, etc. Estão agarrados ao acessório e não ao essencial. Para mim o essencial é a causa da doença. Nas minha consultas faço sempre a mesma pergunta a mim mesmo: “Nuno, porque é que este indivíduo está com esta patologia?” Ele está com uma amigdalite e já é recorrente, se fizermos a abordagem convencional, administramos um medicamento para combater a amigdalite e pronto, simples e práctico. No entanto, a causa que está na origem do problema não foi considerada e, obviamente, mantém-se activa. É claro que passado algum tempo o indivíduo está novamente doente. Isto é observado diáriamente em qualquer consulta médica.
Em Homeopatia também verifico o mesmo, as consultas são feitas com base em softwares avançados e os diagnósticos são feitos tendo em conta o sintoma; o doente queixa-se de tosse e lá vão na receita uma serie de medicamentos com afinidade com tosse, como se a causa da doença estivesse na tosse. Isto não é apenas uma crítica pela crítica em si mesma, é que esta práctica deixa-me profundamente desgostoso, por estar em severa contradição com os mais elementares princípios homeopáticos. Como a Homeopatia é a minha vida, só posso ficar triste e desapontado...
Em Homeopatia NÃO EXISTEM medicamentos para a patologia, existem sim, medicamentos para o Sr. Manuel, a Sra. Maria, o menino Ricardo, etc, para a totalidade dos sintomas, mentais, emocionais e fisicos. É um disparate indicar-se medicamentos para a febre, tosse, obstipação, dispepsia, artrite, cefaleias, etc, apesar de ser um erro inadmissível, é o que se vê em sites, blogs, livros...
Sou contra esta atitude! Em nome da boa práctica homeopática, nunca indicarei medicamentos homeopáticos associados a qualquer patologia neste blog, nem em qualquer outro sitio.
Não abdico desta ideia pela Homeopatia, pelos meus doentes, por aquilo que sinto e em que acredito e, fundamentalmente, pelos resultado clínicos que obtenho com esta práctica.