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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Complementaridade entre medicinas



Tenho aprendido muito ao longo destes anos de prática clínica. Uma das maiores aprendizagens, é que não existem verdades absolutas. Na área da saúde específicamente, as verdades absolutas têm vindo a ser desmontadas, quer seja pelo avanço da investigação, quer seja pela prática clínica empírica do dia a dia.
Assim, faz todo o sentido trabalharmos em complementaridade e não de costas voltadas e com ataques constantes de parte a parte. A prioridade máxima de um profissional de saúde, a sua maior motivação e focalização, deve ser ajudar quem está doente. Não deve, não pode haver outro interesse que não seja minimizar o sofrimento de quem nos procura.

Escrevo este texto em terras alemãs, durante um seminário com o Dr. Prasanta Banerji sobre os protocolos Banerji. Não é o método homeopático que pratico e em que acredito, mas decidi estudá-lo a fundo para perceber os seus fundamentos. É o que tenho feito ao longo dos anos, estudar cada método homeopático para tirar o melhor de cada um. Como posso criticar um método que tem sucesso, sem o conhecer em profundidade?

Cheguei à conclusão, que muitas vozes criticam constantemente a homeopatia, porque não  conhecem em profundidade os seus fundamentos, a sua farmacopeia, nem a forma como administrar os medicamentos homeopáticos. São críticas recorrentes, sem fundamento e vão contra toda a experiência clínica de uma medicina com duzentos anos de experiência que é actualmente a segunda forma de medicina mais prescrita no mundo.

Confesso que estou cansado dos mesmos argumentos, da desconfiança, do pseudo cepticismo, etc.

A Homeopatia não se trata de crença, de fé ou efeito placebo. Não é pelo facto de acreditarmos, que o tratamento vai ser bem sucedido. Se assim fosse, não precisariamos de ter uma farmacopeia de cerca de três mil e quinhentos medicamentos, não precisariamos seguir de perto os pacientes para fazermos acertos na potência ou na substância. Não era eficaz nos bebés, animais e plantas... Bastava a crença e tudo resultava. Mas infelizmente não é assim.

A Homeopatia significa muito trabalho, muita dedicação e total disponibilidade. Esta forma de medicina é altamente complexa. Para se medicar homeopáticamente ao mais alto nível, são precisos muitos anos de estudo profundo, formação contínua, abertura para aprender novos métodos, prática clínica constante e, sobretudo, humildade, para reconhecermos que o estudo é para toda uma vida e nunca poderemos ter a veleidade de pensar que sabemos tudo.
E onde entra a paixão e o talento?

A Homeopatia é uma ciência, mas não se resume a essa classificação. Na minha opinião é também uma arte e cada vez a vejo mais como arte. Como em qualquer forma de arte, são precisos três ingredientes essênciais: trabalho, paixão e talento. De referir que certos ramos da medicina convencional são também formas de arte. O que seria um cirurgião sem trabalho, paixão e talento?

A medicina convencional é insubstituível, mas a Homeopatia também é. Qualquer terapia tem os seus limites e cabe ao profissional especializado, saber quais os limites da sua prática. Temos que trabalhar em conjunto para ir buscar o melhor de cada uma, pois só assim podemos dar o melhor ao doente.

É importante reter que :

Sim!! A Homeopatia é eficaz.

Não!! A Homeopatia não é crença ou efeito placebo.

Sim!! A Homeopatia pode ser complementar da medicina convencional

Não!! A Homeopatia não é uma medicina menor.
Isto é a Homeopatia. É assim que a vejo, é assim que a pratico é assim que a sinto...

Neste quarto de hotel algures no sul da Alemanha, sinto um orgulho enorme em ser homeopata, no que isso representa para mim e para todos os que tenho ajudado. Um orgulho enorme, pela confiança que todos os dias tantas pessoas demonstram em relação à Homeopatia e ao meu trabalho em particular.

Obrigado a todos:)